CONVERSANDO COM OS PAIS

SOBRE O ESCOTISMO E A ESCOLA

 

Texto retirado do informativo da UEB – “Sempre Alerta n° 114” (março/abril 93)

 

Com frequência, alguns pais vêm conversar com o Chefe de Grupo ou de Seção, sobre a situação escolar de seu(s) filho(s). Às vezes, destaca que o Grupo Escoteiro atrai o interesse de seu filho, estimulando-o a participar das atividades, constatando que o mesmo não ocorre em relação à Escola. Geralmente, conclui perguntando se um bom escoteiro não deve também ser um bom aluno, e às vezes expressa seu desejo de suspender, como “castigo” a participação de seu filho no Grupo Escoteiro.

 

Vamos analisar o assunto, por etapas:

 

O INTERESSE DO JOVEM PELO ESCOTISMO E PELA ESCOLA

 

Por ser um Movimento de acesso e saída voluntária, pelas características ativas do Método Escoteiro e pela confiança que deposita no membro juvenil, em geral o Escotismo conquista a simpatia das crianças e jovens, desenvolvendo um processo que visa com que eles assumam seu próprio desenvolvimento.

 

Esse processo necessita ser espontâneo e progressivo, segundo a proposta do Programa Escoteiro. A obrigação escolar, pelo contrário, reduzindo o espaço de aprendizado a uma sala de aula, frequentemente monótona, muitas vezes trabalha exclusivamente na transmissão sob a forma de “decoreba” de conhecimentos, para os quais as crianças e jovens não sentem a utilidade prática em suas vidas.

Essa diferenciação indica que o assunto deve ser motivo de uma ou mais conversas francas com nosso filho(a), identificando se uma melhor comunicação com.a Escola não é necessária, bem como analisando alternativas de outras Escolas mais motivadoras e eficientes, mesmo na área pública ou mantendo a criança ou jovem no ensino particular.

 

Para o sucesso de nosso filho na Escola, não basta nossa preocupação eventual na ocasião das provas e avaliações. Precisamos estar ao lado dele (ou dela) para verificar seu interesse pelas diversas matérias, o estímulo proporcionado pelos diversos Professores e, mesmo, conversando sobre a forma de funcionamento do Colégio.

Entre outras iniciativas, o estímulo à leitura pela compra de livros adequados à sua idade, é um excelente investimento em favor do seu futuro. Quando as crianças ainda são pequenas, podem ser estimuladas à leitura pelos pais, que lerão o início das histórias ilustradas, motivando o interesse pelo assunto enfocado. Quando a criança passa a ler, o apoio deve ser mantido com nossa presença confortadora, ao invés de nos refugiarmos defronte à televisão.

 

UM BOM ESCOTEIRO É SEMPRE UM BOM ALUNO?

 

Conforme já dissemos, o Propósito do Escotismo valoriza a que a criança ou jovem “assumam seu próprio desenvolvimento”. É lógico que isso leva. em conta o estudo de cada Escoteiro. No entanto, em algumas horas semanais, o Escotismo não pode, em absoluto, substituir o estímulo do diálogo familiar em relação à Escola. Lidando com grande número de jovens em cada Seção,fica difícil ao Chefe identificar as causas específicas do desinteresse de cada criança ou jovem. Segundo a proposta afirmativa do Movimento Escoteiro, o jovem conscientiza-se que, para poder servir ao próximo, necessita preparar-se ele mesmo para esse Serviço.

 

Para os adultos, é bastante fácil assumir uma posição da “cobrança”. Mais difícil, é propiciar um espaço para o debate do significado da Escola para a vida da criança ou jovem, das alternativas que a sociedade oferece àqueles que não tem um adequado estudo, e, para os maiores, as exigências de cada opção profissional. Em suma, antes de “cobrar” devemos contribuir para que a criança ou jovem se sinta valorizado pelos bons resultados que alcança, ao mesmo tempo em que buscamos as razões para eventuais dificuldades encontradas.

 

Nossa expectativa de que nosso filho seja um bom aluno, tem como contrapartida nossa responsabilidade de permanente apoio. Sozinho ele já teria condições de corresponder ao que esperamos?

 

O Grupo Escoteiro também tem o mesmo interesse da família, nos bons resultados escolares de seus membros juvenis. Nossa forma de trabalhar esse assunto é transferindo à criança ou jovem, responsabilidades progressivas, demonstrando permanentemente nossa confiança em seu desempenho. Esse é um processo afirmativo, que produz bons resultados quando existe um permanente diálogo também da família com os Chefes da Seção e do Grupo.

 

VALE A PENA “SUSPENDER” NOSSO FILHO DO MOVIMENTO?

 

O tempo que o membro juvenil dedica ao Movimento são somente algumas horas semanais. Analisando seu horário de atividades, poderemos certamente identificar muitas outras opções para que disponha de mais tempo para o estudo.

Seria justo, do ponto de vista de nossa relação pais-filhos, cortar uma atividade, somente porque ela desperta seu entusiasmo?

 

Por que não reconhecer a contribuição, que o Escotismo pode dar ao futuro de nosso filho, estabelecendo desde já o diálogo indispensável para a solução das causas desse problema, e não tratar só de seus eventuais efeitos ou conseqüências?

 

Tomamos a liberdade de sugerir, a leitura pelos pais (pai, mãe e/ou responsável) de uma pequena publicação de nosso Fundador Baden-Powell, denominada “A Educação pelo Amor substituindo a Educação pelo Temor”.

 

Temos a certeza de que é essa linha, do mais profundo amor ao nosso filho, que iremos adotar, mesmo em uma encruzilhada como esta.

E saberemos tomar a decisão que, de fato, irá em seu benefício, não somente nas próximas semanas, mas para toda a sua vida.

 

A chefia do Grupo Escoteiro, e da Seção em que seu filho participa, estão à sua disposição para conversar mais sobre esse tema, que também é de nosso maior interesse. Felicidades em sua tomada de decisão, com bom senso, amor e efetiva compreensão. Compreensão do que pode ajudar ao seu filho,e do que pode faltar para ele, na construção de seu futuro! 

copyright © 41º Grupo Escoteiro Redentor - RJ - Brasil

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